Quando estou sob as luzes não tenho medo de nada

Biografia

Ela é artista desde criança. Entre produções teatrais na escola e para a família a música sempre esteve presente em sua vida na cidade de Itapipoca (CE), onde nasceu. Ainda na infância conquistou seu primeiro incentivo, e aos três anos ganhou concurso de melhor voz infantil.

A paixão pela música cresceu com ela, que seguiu participando de corais tendo destaque como solista. Incentivada pela professora de canto, Leilah Carvalho Costa, iniciou uma carreira solo que começou a acontecer nos tradicionais Festivais de Música, colecionando mais prêmios e abrindo estrada para shows pela região. Ainda no Ceará gravou dois discos, sendo um totalmente dedicado ao repertório de Carmen Miranda. Em 1997 e 1998 ganhou o prêmio de melhor cantora da Fundação Cultural de Fortaleza.

Já no Rio, em 2005 gravou o disco Lúcia Menezes ao lado de grandes nomes da música brasileira como o produtor José Milton e arranjos luxuosos divididos entre Cristóvão Bastos e João Lyra. O release de apresentação foi escrito pelo expert Ruy Castro e o disco lançado pela gravadora Kuarup e recebeu muitos elogios da crítica.

Três anos depois voltou a reunir o mesmo time campeão, mas o release trazia a assinatura de gala de Sérgio Cabral. Com o álbum Pintando e bordado, lançado pela Som Libre, foi indicada ao importante Prêmio da Música Brasileira ao lado de Lia de Itamaracá na categoria “Melhor cantora Regional”, em evento que aconteceu no Canecão junto com os maiores nomes da música brasileira. O disco também rendeu coleção de elogios da imprensa de todo o país.

Discografia

Lúcia Menezes

1 Esperança vã

(Marcelo Tupynambá)

3:46
2 Viola e sanfona

(João Lyra - Paulo César Pinheiro)

2:42
3 Desencontro (participação especial Chico Buarque)

(Chico Buarque)

3:28
4 A letra I

(Luiz Gonzaga - Zé Dantas)

3:21
5 Mudando de conversa

(Hermínio Bello de Carvalho - Maurício Tapajós)

3:27
6 Enquanto engomo a calça

(Ednardo - Climério)

4:32
7 Devolve

(Angela Brandão)

4:12
8 Sonho de marinheiro (participação especial Miúcha)

(João Donato - Fausto Nilo)

3:55
9 Sete cantigas para voar

(Vital Farias)

4:24
10 Recado

(Djalma Ferreira - Luiz Antônio)

2:49
11 Zé Piaba

(Zé da Flauta)

3:09
12 Bem-te-viu

(Jorge Mautner - Nelson Jacobina)

2:55
13 A fia do Chico Brito

(Chico Anysio)

3:09
14 Lourinha

(Fred Falcão - Arnaldo Medeiros)

3:22

Releases

Lúcia Menezes é uma intérprete genial, em vários sentidos. Sua voz irradia não só beleza extasiante, assim como memórias vivas de todas as nossas mitologias cantadas da história do Brasil de todos os tempos. E também de todos os Brasis, com ênfase na imensa tradição genial dos cancioneiros e repentistas, que são profundas poesias e o esteio de nossa imensa nação de país-continente. Quando ouvi a sua gravação do “Bem-te- Viu”, de minha autoria, fiquei mergulhado em devaneios por causa de sua interpretação irradiar tamanha alegria de vida e das inovações que ela traz ao cantar e conseguir ser tão abrangente e, ao mesmo tempo, totalmente pessoal.

Ecoam em sua voz músicas de todos os tempos; seu cantar é de exuberância, dadivosidade e de profundo amor e dedicação aos mistérios do Brasil, que Lúcia, ao cantá-los, vai se desvelando e criando novos mistérios. As canções, sejam nordestinas ou compostas por compositores do sul-leste- oeste do Brasil, se transfiguram em sua voz e interpretação, que transmitem uma alegria, uma sonoridade absoluta, inédita, profundamente pessoal e autêntica, que nos atinge a todos como se fosse um relâmpago de belezas.

Sua voz e sua interpretação são raras e únicas e, depois de ouvi-la, a sua voz continua em nossos neurônios, ecoando para sempre dentro de nós, nos alimentando com a seiva da vida, da felicidade, do amor e das dores transformadas em alegrias, nos confortando e fabricando otimismo em nós dia e noite, rasgando nossos corações com a luz da felicidade e transformando os pesadelos em sonhos de uma eterna noite de verão.

Como escrevo pensando nos veículos de divulgação do meu país, peço atenção especial para essa cantora Lúcia Menezes. Não se trata de amizade entre mim e ela, mas de muita vontade de levar a todos os estados brasileiros a voz e a interpretação dessa moça, que oferece de cara uma grande vantagem: é uma cantora original.

Ela é cearense e faz, com as suas gravações, uma espécie de ponte musical entre o Nordeste e o Sudeste, cantando o que encontra melhor e disponível nas duas regiões. No CD Lucinha, ela foi também a Brasília e recolheu duas preciosidades da mineira radicada no Distrito Federal, Ângela Brandão, o inédito Bola sete, que contou com Marcelo Lima como parceiro ("Eu sou seu feriado, seu dia de praia", um verso de Bola sete), e Requebrado. Peço a atenção para a magnífica leitura de Lúcia Menezes dos dois sambas, ambos com aquele balanço que consagrou, por exemplo, Geraldo Pereira, em que a cantora parece um Cyro Monteiro ou um Miltinho de saias, inteiramente à vontade para nos mostrar como é que se faz para interpretar um samba sincopado. Por falar em Geraldo Pereira, ele está presente no CD com uma das suas maravilhosas criações, Pisei no Despacho, além do fundamental Chico Buarque, que comparece com Injuriado. Não poderia faltar num disco de Lúcia Menezes, uma referência a Carmen Miranda, aqui presente com o samba Coração, do grande Sinval Silva.

À vontade nos sambas e, sem dúvida, nas músicas nordestinas, como seria esperado de uma excelente cantora cearense. E caprichou muito na escolha do repertório nordestino, uma informação fácil de ser comprovada com a leitura dos nomes dos compositores: João Lyra, Joana Lyra (presentes com o inédito Sanfoneiro, toque), Tom Zé, Chico César, Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Ednardo, Climério, Humberto Teixeira (com uma canção sobre os olhos de quem ama, velha fixação do grande Humberto, que, em Asa Branca, escreveu: "Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação"), Manezinho Araújo e Fernando Lobo. Que tal? E mais: na passagem da ponte musical do Nordeste para o Rio, ela, felizmente, lembrou-se de dar uma parada no Espírito Santo e recolher o blue Que Loucura, do saudoso Sérgio Sampaio.

Para colorir todas essas belas canções, Lúcia Menezes cuidou de reunir um timaço de instrumentistas, entre eles dois craques em matéria de arranjo: Cristóvão Bastos e João Lyra.

Produzido por José Milton e arranjos com a assinatura de Cristovão Bastos e João Lyra, Lucinha - assim carinhosamente batizado com o apelido desta cearense - é o terceiro CD de Lúcia Menezes e traz, mais uma vez, o mesmo time irretocável dos álbuns anteriores. Rodeada de grandes músicos e arranjadores, dos quais não abre mão, Lúcia vem acompanhada por Cristóvão Bastos (piano), João Lyra (violão), Adelson Vianna (sanfona), Jamil Joanes (baixo), Paulo Braga (bateria), Zé Leal (caixeta, tamborim, triângulo, ganzá e agogô), Rogério Caetano (violão 7), Alceu Maia (cavaco), Durval Ferreira (zabumba e pandeiro), Dirceu Leite (clarinete), Mingo Araújo (tambores e ferro) - e a participação mais que especial na guitarra de seu filho blueseiro Artur Menezes, que acabou de abrir os shows do Buddy Guy no Brasil.

O repertório revela seu interesse pela busca de novos nomes e pelo resgate de importantes artistas da música brasileira. Lúcia juntou canções inéditas e outras antigas recém descobertas à aquelas de memória afetiva ou que sempre foram verdadeiras paixões.

Sua voz é feliz; exala alegria. Sua forma particular de cantar e seu timbre próprio e especial - com personalidade e bem brasileiro - levam sua assinatura em todas as canções e preenchem este CD com sua identidade. Quase como uma criança descobrindo a música, com amor pelo seu ofício, Lúcia Menezes canta como quem borda um delicado tecido.

Eis uma cantora para ser ouvida como um deleite e, para os que ainda não a conhecem, como uma deliciosa surpresa: Lúcia Menezes. Trata-se de uma intérprete absolutamente original pelo jeito de cantar e, sobretudo, por um timbre que nos impede de confundi-la com qualquer outra cantora do passado ou do presente.

E, honra seja feita, ela está muito bem cuidada no CD Pintando & Bordando, a começar pelo trabalho do produtor José Milton e dos arranjadores e regentes João Lyra e Cristóvão Bastos, nomes que, como diria Noel Rosa (um dos autores lembrados por ela no fox trote raramente gravado Estátua da paciência), não restam a menor dúvida.

Do repertório selecionado para o disco, a gravação das músicas mais antigas também chama a atenção, porque, embora algumas delas tivessem sido marcadas por interpretações definitivas, a voz e o estilo de Lúcia Menezes sinalizam uma espécie não de renascimento no sentido de ressurreição, mas de um novo nascimento, porque a sua interpretação dá uma nova identidade a essa músicas. É o caso de Uva de caminhão, um dos grandes momentos da jovem centenária Carmen Miranda, de Mangaratiba, que Luís Gonzaga cantava maravilhosamente e do samba Palavra doce, do qual, até então, somente me lembrava dele associando-o à voz de Mário Reis. Aliás, fiquei muito feliz pela inclusão de Palavra doce no CD, não só porque é um belo samba, mas também por não deixar esquecido o nome do seu autor, Mário Travassos de Araújo. Trata-se de um personagem muito importante na história da música popular brasileira como compositor e pianista. Para se ter uma idéia da sua importância, ele era um dos autores e instrumentistas preferidos pelo cantor Luís Barbosa, o grande criador dos breques no samba na primeira metade da década de 1930. Mário Travassos foi uma glória do samba e de Niterói, a sua cidade.

Enfim, Lúcia Menezes, que brilha nas 14 músicas, e o próprio CD Pintando & Bordando são mais duas demonstrações de que a nossa música popular não para de nos dar boas notícias.

O QUE VIER ELA TRAÇA

Lúcia Menezes é uma cantora do bom e do melhor Ceará: aquele que, sem deixar de ser, com orgulho, cearense, também consegue ser vastamente nacional - por ser, ao mesmo tempo, um pólo irradiador de cultura e um receptor de todas as boas coisas produzidas fora das suas fronteiras. (É por isso que o cearense está em toda parte. Já reparou na quantidade de cearenses "nacionais" na história do Brasil?)

Lúcia pode não ser ainda "nacional" no sentido do reconhecimento, mas isso é questão de tempo. Em temperamento, escolha do repertório e jeito de cantar, ela é, isto sim, uma legítima cantora brasileira. O temperamento é o mesmo que, começando por Carmen Miranda em 1930, gerou todas as cantoras brasileiras "de bossa" - aquelas que não vacilam em emprestar uma saudável malandrice às letras, à divisão rítmica e até à inflexão de certas sílabas. Seu repertório é um amplo leque de sambas, choros, baiões, xaxados, maracatus, toadas, baladas, emboladas e, se precisar, valsas e sambas-canções ou de breque - quer mistura mais brasileira? E o jeito de cantar, terno ou esfuziante, romântico ou humorístico conforme o caso, demonstra o profissionalismo e a tarimba, tipo "o que vier eu traço" - e traça mesmo, como diz no samba de Alvaiade, em que vai acelerando o ritmo até chegar a uma velocidade de quebra-língua (não há muita gente na praça capaz dessa proeza hoje em dia).

Lúcia Menezes, lançado pela Kuarup e seu primeiro disco para valer, é a prova de tudo isso. Começa pela produção de José Milton, uma espécie de mago que já pôs nos trilhos a carreira de várias boas cantoras que não conseguiam deslanchar. Tudo que ele toca dá certo. Ao trabalhar com um material como o de Lúcia, então, é covardia. Principalmente por cercá-la de dois nomes como o pianista Cristóvão Bastos e o violonista João Lyra. Eles se revezam nos arranjos, comparecem em todas as faixas e alternam uma dicção carioca ou nordestina na sonoridade do disco, que vai das flautas de Dirceu Leite à sanfona de Adelson Viana, dos pandeiros e tamborins de Oscar Bolão aos triângulos e zabumbas de Durval. Em muitos momentos, o que esses músicos fazem é uma fusion usando os dois melhores materiais musicais do mundo: uma fusion de Brasil com Brasil.

A seleção de repertório, que deve ter dado muito trabalho a Lúcia, Nelson Silveira e José Milton - pela riqueza de títulos a escolher - não se limita a uma viagem no espaço. É também uma viagem no tempo. Começa pelo grande pianista, acordeonista e letrista cearense Lauro Maia (1912-1950), mais famoso hoje por Trem de ferro (sucesso dos Quatro Azes e Um Coringa em 1944 e de João Gilberto em 1961), mas que deixou muita coisa boa, como o samba Febre de Amor, que Lúcia incorporou faz tempo a seu repertório e o canta sempre que pode. Lúcia vai ainda mais longe e traz pela mão o histórico violonista João Pernambuco (1883-1947) de Estrada do Sertão, que recebeu uma letra póstuma e bem à propos de Hermínio Bello de Carvalho. E outro pernambucano de estirpe, Manezinho Araújo (1910-1993), é recuperado com o divertido O Carrité do Coroné. Apostar no sucesso é fácil, mas o grande cantor é também aquele que mantém vivas as canções ameaçadas de extinção.

A fusion continua com os cariocas que se aventuraram pelos ritmos nordestinos, como em Serafim e Seus Filhos, de Ruy Mauriti; Verdes Mares, em que Paulo César Pinheiro recria toda uma geografia cearense que cai tão bem no repertório de Lúcia; e, claro, A Violeira, de Tom Jobim e Chico Buarque, uma saga que começa no sertão e acaba em Ipanema. E o que dizer de Cheirinho de Mulher, de Sivuca e Glorinha Gadelha, que nos apresenta ao delicioso (e maroto) verbo forrofiar? E Lúcia descobre a perfeita naturalidade de juntar, num mesmo disco, Zeca Baleiro e Ednardo com o Alberto Janes do clássico fado Foi Deus. Tudo é música quando a alma não é pequena.

Por falar em O que Vier eu Traço, os versos dizem, "Não me atrapalho na música/ Nem mesmo sendo sinfônica/ Procuro tornar simpática/ A minha voz microfônica". Pois, acredite ou não, este samba é de 1926, do tempo em que o microfone acabara de ser inventado. Desde então, muito cantor já foi salvo pelo microfone. Lúcia Menezes, ao contrário, é daquelas que ensinam ao microfone o que se pode fazer com ele.

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